INCÊNDIOS
(Incendies, Canadá, França, 2010).
Direção: Denis Villeneuve
Sinopse:
Nawal acaba de morrer. Ela deixa pedidos inquietantes em seu testamento. O corpo deverá ser enterrado nu, com o rosto voltado para o chão. Não haverá menção a seu nome sobre o caixão, pois ela se foi deixando promessas sem cumprir.
Comentários:
Merecidamente premiado, um filme impactante sobre as implicações diante da crueldade de uma guerra, onde o expectador é conduzido do presente ao passado e da violência do mundo ao incêndio da alma.
As “cartas testamentos” deixadas ao casal de filhos gêmeos após a sua morte, revelam aos poucos os segredos de uma mãe que escondeu seu passado em vida e que contam não só sua história, mas também a deles. Cada filho reage à sua maneira, mas pouco a pouco se deparam com a verdade: sobre um passado permeado nos conflitos religiosos e políticos de outro país, o Líbano, onde viveu a mãe. As cartas também tem a intenção de conectá-los com outros parentes que nem sabiam existir.
Acompanhamos assim, a história de sobrevivência de uma mulher, com a perda da inocência e juventude, abdicando das pessoas que ama, tornando-se guerrilheira, sendo presa e torturada. E a capacidade da protagonista de se superar diante das agruras de uma guerra, sem desmoronar como pessoa e ainda bancando uma nova vida.
É um filme globalizado sobre a guerra e apresenta as consequências na vida de uma pessoa. A passagem de uma atitude passiva para a ativa, pois nos episódios de guerra sentimo-nos dominados, bloqueados, sem agir de acordo com nossos critérios e desejos. Podemos relacionar a guerra à pulsão de morte, pulsão destrutiva e agressiva. Oposição primitiva de amor e ódio, pulsão de vida e de morte, expressas através da ambivalência emocional. Esta se caracteriza por uma vivência contraditória entre o amor e o ódio em relação ao outro. Uma reação de oposição diante dos fatos externos e do viver interno, subjetivo. Os sentimentos se confundem e aparecem reações contraditórias que perturbam o sujeito e a sociedade, diante de atuações muitas vezes agressivas e violentas.
“Na guerra prepara-se a paz e na paz constrói-se a guerra”.
Vanessa M. da Ponte
Psicóloga do Lien Clínica e Assessoria
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Linguagem e Comunicação
Esta tirinha do Calvin* nos faz pensar na importância da argumentação. Note como o Calvin argumenta para não organizar o quarto bagunçado, obrigando sua mãe a contra-argumentar a importância de isso ser feito. Vejam que a mãe considera os argumentos de Calvin (sobre como ele poderia saber a importância do trabalho se não será pago por ele) para responder com um discurso coerente (de que ele pode confiar em uma mãe sobre isso).
Isso me fez pensar em algumas situações que presencio ao interagir com pais e filhos no consultório ou mesmo com professores falando de seus alunos. Geralmente, falamos que queremos crianças e jovens mais argumentativos, que não respondam apenas com ‘porque sim’ ou ‘porque não’, que consigam explanar suas ideias, ter e manifestar suas opiniões e expandir seus conhecimentos de mundo. No entanto, quando eles adquirem esse arsenal de argumentos, é difícil dosar o quanto isso deve ser acatado e o quanto isso deve ser refutado.
Ora, uma boa argumentação deve ser respondida com outra de equivalente qualidade. Claro que é importante incentivar a argumentar, mas isso, ao contrário do que usualmente é feito, é também contra-argumentar, é ceder a ela apenas quando for possível e, logicamente, não ceder quando ela não fizer sentido (seja pela impossibilidade do momento, seja pelo absurdo do pedido, por exemplo). Então, a forma como as coisas são ditas são importantes, mas temos que nos ater ao seu conteúdo para saber se são viáveis.
Logo, quando preparamos filhos e alunos para serem pessoas mais argumentativas, precisamos igualmente nos preparar para que não precisemos, por descuido, 'organizar a bagunça do outro’.
Elisângela Bassi
Fonoaudióloga do Lien Clínica e Assessoria
*Tirinha extraída de: Watterson, Bill. (2007). O mundo mágico: as aventuras de Calvin & Haroldo. Tradução Luciano Vieira Machado. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2007:76.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Pensamentos e Reflexões
FÁCIL E DIFÍCIL (Carlos Drummond Andrade)
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.
Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.
Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e às vezes impetuosas, a cada dia que passa.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Fácil é ditar regras e difícil é segui-las...
Não vou me ater ao Fácil, o próprio conceito dá conta do recado. Gostaria de aproveitar as palavras de Carlos Drummond para questionar o Difícil em nossas vidas.
A história bíblica do camelo que passa pelo buraco da agulha, talvez ilustre como a questão da dificuldade nos é apresentada como um sacrifício que terá a boa recompensa no final: “ganharemos o reino dos céus.”
É claro que cada pessoa absorve o conhecimento de uma forma: umas entendem como um desafio que promoverá o desenvolvimento, mas para outras o DIFÍCIL pode ser confundido com o IMPOSSÍVEL. Criam crenças, que limitam, que as distanciam de qualquer possibilidade de crescimento e evolução.
Deixam de viver o desafio e de provar a superação.
Pense nos seus “impossíveis” e veja se não são apenas “difíceis”.
Encontrando dificuldade, saiba que pode buscar ajuda!!!!!!!!!!
Grande abraço
Roberta Marin Passos
Psicóloga – Lien Clínica e Assessoria
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Cinema e Psicanálise
A Separação
Filme iraniano A Separação Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2012
Direção: Asghar Farhadi
Elenco: Leila Hatami, Peyman Moadi, Sarina Farhadi
Nome Original: Jodaeiye Nader az Simin
Duração: 123 minutos
Ano: 2010
País: Irã
Classificação:12 anos
Gênero: Drama
Sinopse:
A Separação (Créditos: Divulgação)
Vencedor do Oscar 2012 na categoria melhor filme estrangeiro, o filme iraniano A Separação traz a história de Nader (Peyman Moaadi), um homem que, após se divorciar de Simin (Leila Hatami), é obrigado a contratar uma jovem para cuidar do pai que sofre de Alzheimer. No entanto, a garota está grávida e trabalhando sem o consentimento do marido. Essas condições aliadas a um terrível incidente levarão as duas famílias a um julgamento moral e religioso.
Assinado por Asghar Farhadi, o filme ganhou dois Ursos de Prata (melhor ator e melhor atriz) e o Urso de Ouro, prêmio máximo para o melhor filme.
Comentários:
A separação de um casal pode se converter em uma arena, cenário de disputas no qual questões não conversadas e não resolvidas aparecem de forma irreversível. Os filhos muitas vezes presenciam discussões e agressões sem, contudo, poder tomar partido, por envolver questões do casal parental. Mágoas, rancores, desentendimentos, desejos adiados, insatisfações eclodem e inundam a família como um todo.
No filme esta problemática é encenada através dos conflitos de um casal que decide se separar diante da ideia da esposa de deixar o país, decisão não compartilhada pelo marido. A partir disto, situações de difícil resolução emergem na família: a decisão da filha do casal de ficar com o pai ou emigrar com a mãe, a delicada relação entre pai e filha, e mãe e filha na adolescência, a percepção da filha das fragilidades dos pais, quem e como cuidar do pai doente do marido, o que é certo, justo e verdadeiro. Do lado da cuidadora do idoso doente, os conflitos giram em torno de como trabalhar sem afrontar cultura e valores, como conviver com um marido desempregado e agressivo, o que é certo encobrir, revelar, o que é humano...
O valor do filme está na criação de cenas extremamente conflitivas onde o espectador fica com dificuldade de se posicionar e onde fica claro que cada personagem tem seus motivos e reivindicações, muitas delas, inconscientes. Outro aspecto interessante é como as mulheres do filme aparentemente frágeis se utilizam de estratégias de convencimento e de ações de camuflagem para conseguirem conviver e driblar os preceitos morais, religiosos.
Liliana Emparan
Psicanalista e Psicopedagoga do LIEN- Clínica e Assessoria
Filme iraniano A Separação Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2012
Direção: Asghar Farhadi
Elenco: Leila Hatami, Peyman Moadi, Sarina Farhadi
Nome Original: Jodaeiye Nader az Simin
Duração: 123 minutos
Ano: 2010
País: Irã
Classificação:12 anos
Gênero: Drama
Sinopse:
A Separação (Créditos: Divulgação)
Vencedor do Oscar 2012 na categoria melhor filme estrangeiro, o filme iraniano A Separação traz a história de Nader (Peyman Moaadi), um homem que, após se divorciar de Simin (Leila Hatami), é obrigado a contratar uma jovem para cuidar do pai que sofre de Alzheimer. No entanto, a garota está grávida e trabalhando sem o consentimento do marido. Essas condições aliadas a um terrível incidente levarão as duas famílias a um julgamento moral e religioso.
Assinado por Asghar Farhadi, o filme ganhou dois Ursos de Prata (melhor ator e melhor atriz) e o Urso de Ouro, prêmio máximo para o melhor filme.
Comentários:
A separação de um casal pode se converter em uma arena, cenário de disputas no qual questões não conversadas e não resolvidas aparecem de forma irreversível. Os filhos muitas vezes presenciam discussões e agressões sem, contudo, poder tomar partido, por envolver questões do casal parental. Mágoas, rancores, desentendimentos, desejos adiados, insatisfações eclodem e inundam a família como um todo.
No filme esta problemática é encenada através dos conflitos de um casal que decide se separar diante da ideia da esposa de deixar o país, decisão não compartilhada pelo marido. A partir disto, situações de difícil resolução emergem na família: a decisão da filha do casal de ficar com o pai ou emigrar com a mãe, a delicada relação entre pai e filha, e mãe e filha na adolescência, a percepção da filha das fragilidades dos pais, quem e como cuidar do pai doente do marido, o que é certo, justo e verdadeiro. Do lado da cuidadora do idoso doente, os conflitos giram em torno de como trabalhar sem afrontar cultura e valores, como conviver com um marido desempregado e agressivo, o que é certo encobrir, revelar, o que é humano...
O valor do filme está na criação de cenas extremamente conflitivas onde o espectador fica com dificuldade de se posicionar e onde fica claro que cada personagem tem seus motivos e reivindicações, muitas delas, inconscientes. Outro aspecto interessante é como as mulheres do filme aparentemente frágeis se utilizam de estratégias de convencimento e de ações de camuflagem para conseguirem conviver e driblar os preceitos morais, religiosos.
Liliana Emparan
Psicanalista e Psicopedagoga do LIEN- Clínica e Assessoria
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