quarta-feira, 10 de outubro de 2012




O inquilino que há em mim!!!

Mesmo não havendo lei, a consciência é uma punição.
(Publílio Siro - escritor latino da Roma antiga)

É uma punição se existe consciência!
Quem é essa tal consciência que habita no ser? Será que todos têm um inquilino?
Nos dias de hoje até duvidamos dessa existência em algumas pessoas.
Podemos elencar vários fatores, mas gostaria de me deter à educação. Aquela fundamental, ensinada pela família, especificamente pelos pais.
Muitos pais se tornaram reféns dos filhos e uma grande inversão de valores passou a influenciar essa função tão imprescindível na formação do SER. Por conta disso, os “nãos” trazem mais sofrimento aos pais do que às crianças, que acabam sendo poupadas da frustração e da oportunidade de aprender sobre limites, sobre o quanto todos nós estamos submetidos a regras, do quanto que para vivermos em sociedade precisamos ter a noção da nossa liberdade e a do outro.
Enfim, a consciência se instala quando a pessoa carrega em si um sistema de valores que permita a análise e a interpretação dos fatos.
Tanto para a criança, quanto para os adultos, à consciência pode ser uma vilã ou uma grande aliada na vida, só depende de como você se relacionará com ela.

Grande abraço
Roberta Marin Passos
Psicóloga – Lien Clínica e Assessoria

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cinema e Psicanálise


Zelig





Sinopse: Zelig é um "mocumentário" sobre a vida de Leonard Zelig (Woody Allen), um homem que chama a atenção do mundo por possuir uma característica extremamente peculiar: sempre que cercado por pessoas diferentes, adquire as características delas, fisica e psicologicamente. Por este motivo, ganha o apelido de "Homem-Camaleão" e chega até a inspirar filmes em Hollywood. Enquanto muitos o tratam como atração de circo, a Dra. Eudora Fletcher (Mia Farrow) tenta investigar a mente deste complicado paciente.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Mia Farrow, Patrick Horgan, John Buckwalter, Marvin Chatinover, Stanley Swerdlow, Paul Nevens, Howard Erskine, George Hamlin, Ralph Bell
Produção: Robert Greenhut
Roteiro: Woody Allen
Fotografia: Gordon Willis
Trilha Sonora: Dick Hyman
Duração: 79 min.
Ano: 1983
País: EUA
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Orion Pictures Corporation

Comentários:

Neste filme de quase 30 anos, o diretor Woody Allen apresenta e discute questões psíquicas complexas. Zelig é uma pessoa que se adapta totalmente aos outros por mais diferentes que sejam, de tal forma que ele mesmo se apaga como sujeito, confundindo-se e mimetizando-se com esse outro. A necessidade compulsiva de parecer/ser um outro fala da obrigação, da urgência de corresponder ao desejo imaginário desse outro. Zelig vive aprisionado a um pedido: “seja igual a mim” que o escraviza a uma imagem e o impede de ser ele mesmo.
O filme apesar de ter cenas engraçadas vai nos dando notícia do sofrimento do protagonista. Afinal, quem é Zelig? O que ele pensa? O que ele deseja? Na colagem constante com o outro, Zelig parece tentar desesperadamente se encontrar.

Vale a pena assistir e refletir!

Liliana Emparan
Psicanalista e Psicopedagoga do LIEN-Clínica e Assessoria



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cinema e Psicanálise




ENFIM VIÚVA

(Enfin veuve)
Direção: Isabelle Mergault
França, 2007

Sinopse:

Anne-Marie já passou dos 40, mas continua jovial e enxuta. Apesar de casada com um rico cirurgião plástico, é infeliz no casamento e tem um amante que constrói barcos e quer levá-la para Hong Kong, onde trabalhará por ano e meio. Quando seu marido morre num acidente de carro, ela vê a chance de, finalmente, largar tudo e ficar com o amante. Mas, seu filho e suas cunhadas, que nada sabem sobre o caso extraconjugal, se hospedam em sua casa e não a deixam em paz.
(Fonte: Folha de SP)

Comentários:

Comédia de humor negro que coloca a viuvez da protagonista, não como lamento, mas como alternativa para sua felicidade. Acompanhamos a saga de Anne-Marie tentando se desvencilhar da família para ir ao encontro do amante, mas sempre sendo flagrada e tendo que inventar alguma desculpa. O filme faz uma reflexão sobre escolhas e renúncias, de não poder agradar a todos diante das decisões da vida e do alto preço de bancar o que se deseja muitas vezes.



A protagonista fantasia que após a morte do marido terá livre arbítrio para viver com seu amante, deixando de ser esposa (e adúltera). Ela acha que terá liberdade para isso, inclusive para assumir esta condição sem grandes culpas. Mas, no papel de viúva sua família fica mais presente, cercando-a de atenção, cuidados, controlando seus passos e ela se vê numa cilada, já que o que ela supõe não acontece. Diante de situações bem humoradas e até surrealistas, vemos uma mulher tendo que assumir seus desejos, mas com grande dificuldade para isso. Como desbancar o papel de mãe fragilizada diante de um filho superprotetor que a idealiza?Como bancar seu desejo e sucumbir às promessas amorosas de seu amado?
Anne-Marie precisa desconstruir esta imagem de mãe e mulher indefesa assumindo seus desejos perante sua família. O final feliz é que ela se dá conta desta possibilidade, não deixando de ser uma boa mãe, apenas desmistificando uma imagem que foi imposta em algum momento da sua vida.



O estereótipo da viúva é desconstruído no filme, como já foi feito em grandes obras. A “Viúva, porém honesta” de Nelson Rodrigues é irreverente, debochada, anárquica. Retratam a hipocrisia e falso moralismo presentes na sociedade.
Mas, a viúva do filme é charmosa, nada caricatural, pois não é uma eterna sofredora e nada tem a ver com a viúva de preto, abdicando de sua vida sexual...

Como já dizia Millôr Fernandes: “o adultério é o mercado negro do orgasmo”.

Vanessa M. da Ponte
Psicóloga do Lien Clínica e Assessoria

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Reflexões Psicanalíticas






Sustentabilidade Emocional


Sustentabilidade é o assunto mais falado nos dias de hoje!
Do latim sustentare, significa sustentar, suportar, servir de escora, impedir a ruína.
O termo tem sido aplicado para as questões do meio ambiente, mas cabe muito bem para as questões emocionais!
A sustentabilidade emocional poderia ser definida como a capacidade individual de lidar com as próprias emoções, gerindo-as de tal forma que a energia gerada fosse dirigida ao crescimento e ao equilíbrio pessoal, bem como ao aperfeiçoamento de nossas relações interpessoais. Dessa forma, também, estamos contribuindo para um mundo melhor, mais harmônico, com menos violência.
Reciclar o que usamos e não vamos usar mais, deveria ser válido não somente para os produtos de consumo rápido, mas sim para todos os tipos de produtos, inclusive os sentimentais.
Nesta mesma linha podemos pensar os 5 Rs para as questões emocionais:

Reduzir – priorizar sentimentos e situações que contribuem para o crescimento e desenvolvimento; reduzir o que não serve, o que não agrega, o que não faz mais sentido.

Reutilizar – nosso processo evolutivo passa pela análise de nossas ações, bem como o seu aprimoramento, reutilizar o aprendizado já adquirido, permite ampliar horizontes; partir de um outro patamar;

Reaproveitar – as experiências passadas podem nos oferecer um parâmetro, mas é importante perceber que cada situação é uma e que devemos agregar novos valores ao que já temos;

Reciclar – separar e eliminar sentimentos que não servem e manter aqueles que podem servir no processo evolutivo, permite que se criem espaços para o novo, ou ainda que apenas o melhor permaneça em nós;

Recusar – recuse situações e sentimentos que não o façam crescer, o que empata ou contamina deve ser eliminado.

No livro Ecologia Emocional – A Arte de Cultivar Sentimentos Positivos, os autores apresentam um glossário psicoafetivo, que cabe bem à essa reflexão de hoje:
Adubo emocional: são vitaminas emocionais, elementos nutritivos que reforçam e melhoram nosso desenvolvimento afetivo e crescimento pessoal: carinho, reforço positivo, ternura, amor, bom humor etc.
Buraco de ozônio: perda da proteção de nossa autoestima, o que nos faz vulneráveis a todos os contaminantes, julgamentos e valores externos.
Sentimentos biodegradáveis: ainda que possam provocar sofrimento e desequilíbrio, podem ser transformados positivamente e serem canalizados para ações reparadoras. Por exemplo: a ira pode se transformar na reparação de uma injustiça; a inveja, num desejo de superação pessoal.
Contaminação emocional: emissões descontroladas de tóxicos emocionais, tais como juízos e opiniões negativas, queixas, críticas cruéis, insultos etc. São liberadas inconscientemente e podem inundar o ambiente.
Lixo emocional: resíduos derivados de emoções mal gerenciadas. Correspondem a sentimentos como medo, raiva e mágoa. A consequência de acumular esses sentimentos resulta em um habitat contaminado e na falta de autoconfiança e de autoestima.
Entre nessa! Seja Sustentável e colabore para uma vida melhor!!!!

Abraço grande,
Roberta Marin Passos
Psicóloga – Lien Clínica e Assessoria