terça-feira, 16 de julho de 2013
Cinema e Psicanálise
AMOR É TUDO O QUE VOCÊ PRECISA
(Den skaldede frisor)
Dinamarca/Suécia/Itália/França/Alemanha (2012)
Diretora: Susanne Bier
Sinopse:
'Duas famílias muito diferentes se encontram em uma casa de campo na Itália para festejar um grande casamento, planejado nos mínimos detalhes. Mas, nada ocorre como esperado... De um lado Patrick (Sebastian Jessen), o noivo, filho do inglês Phillip (Pierce Brosnan), empresário bem-sucedido, sempre envolvido em trabalho, ficou viúvo há alguns anos e não consegue se aproximar do próprio filho. Do outro lado à sonhadora Astrid (Molly Blixt Egelind), a noiva, jovem sonhadora em busca de um amor, vive o conto de fadas de um casamento, sempre apoiada por sua mãe Ida (Trine Dyrholm), uma cabeleireira charmosa e falante que recentemente ganhou uma batalha contra o câncer de mama. Os destinos de Ida e Phillip estão prestes a se entrelaçar, quando eles embarcam para a Itália para assistir ao casamento de seus filhos'.
(Fonte: O Globo)
Comentários:
Um filme que provavelmente cairia na pieguice se não fosse a direção firme e sensível desta premiada diretora dinamarquesa. O intercâmbio de seu país com o sul da Itália tornam o filme uma contemplação charmosa.
Apesar da roupagem romântica e do título em inglês (Love is all you need), o original fica inicialmente nada atrativo: 'A cabelereira careca'. Mas, é dela que o filme conta. E é esta personagem que reina nesta história de casamento, doença e luto.
Após enfrentar um câncer e presenciar a traição do marido, ela viaja para a Itália com o propósito de visitar sua filha na véspera de seu casamento e por lá passa por muitas surpresas.
É um filme extremamente feminino (a personagem personifica os papéis de mãe, esposa traída, mulher doente e apaixonada). Com carisma, sensibilidade e força ela consegue dar suporte afetivo à sua família e com obstinada tolerância dribla os constrangimentos e exposições com muita humanidade e simplicidade, mudando radicalmente sua vida.
É um belo filme sobre sexualidade, desejos, desafetos e amor.
A seguir um trecho do belo artigo da Maria Rita Kehl "Masculino/Feminino: O Olhar da sedução" que ilustra muito bem as impressões deste longa:
'Os apaixonados se propõem charadas sobre a diferença e a identificação, os limites e alcances do amor. E se eu for outro? E se você não for essa que aparenta ser?
E se nós dois trocarmos de lugar? Ou se fossemos dois homens... ou duas mulheres?
E se você for malvado? E se eu te fizer sofrer... até onde? Até que ponto?
Qual o limite... a dor? O incesto? O medo? Acreditar de novo em Deus? Cair na real? Trocaria as figurinhas da minha infância... todas! Com você... depois disso, quem vai se importar conosco? Quem vai nos reconhecer?
E trocam de papel, e trocam de lugar. Se permitem brincar com certa isenção... a proteção que o amor do outro oferece... com as angústias da infância.
Brincam com o perigo, refazem mistérios, encenam a sedução.
Brincam de liberdade, os pares apaixonados... e esta brincadeira, é quase de verdade'.
Vanessa M. da Ponte
Psicóloga do Lien Clínica e Assessoria
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Pensamentos e Reflexões
Uma leitura sobre as manifestações dos jovens no Brasil
É sempre muito difícil compreender o que ocorre conosco no momento em que vivemos uma experiência; mais difícil ainda quando é uma vivência social. Freud dizia que só entendemos o significado do vivido em um segundo momento, ou seja, é uma segunda experiência que significa a primeira.
Assim, podemos pensar que os fenômenos vividos nas últimas semanas no Brasil trazem principalmente a marca da expressão, da crítica, da necessidade de mudança. Compareceram às manifestações pessoas de variados segmentos e idades, porém, sabemos que a convocação surgiu de um grupo de jovens de idades entre 20 e 30 anos, ou seja, nascidos entre os anos 1980 e 1990. Posso arriscar e imaginar que seus pais nasceram nas décadas dos anos 60’ e 70’, marcados pelos anos da ditadura militar, período caracterizado pela censura e repressão das liberdades civis.
Esta geração dos chamados “anos de chumbo” foi considerada aguerrida, lutadora, politizada etc. Em contraposição, vínhamos escutando que esta nova geração de adolescentes e jovens só se interessava pelas redes sociais e, no máximo, pelas questões ambientais...
Pois é, às vezes, não conseguimos perceber o que vai se passando de forma latente, bem embaixo dos nossos narizes!
Não pretendo aqui fazer uma análise sociológica ou política, e sim pensar no que significa a juventude e a adolescência (às vezes tida como extensa demais) para a sociedade, para a promoção de mudanças no mundo.
Os jovens representam o questionamento do instituído e a necessidade de novas formas de pensar e viver em sociedade. Frente ao grupo da chamada “geração que criticou e lutou contra o autoritarismo” parecia que nada de novo poderia ser criado ou superado em termos de lutas sociais. E os jovens nos demonstraram que encontrar um lugar de fala, de reivindicações que façam sentido não é fácil, mas que estão dispostos a lutar por isso!!
E que venham os jovens e “ventilem” as nossas crenças!!
Liliana Emparan
Psicanalista e Psicopedagoga do Lien- Clínica e Assessoria
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Infância e Educação
No documentário "O choque de uma escola libertária com a ditadura militar", sobre os Ginásios Vocacionais, da década de 60, sob a idealização da educadora Mª Nilde Mascellani pode-se constatar a importância de uma educação de qualidade baseada na promoção de uma atitude crítica dos alunos perante a realidade. Este tipo de formação foi tão importante que, na época da ditadura militar, a escola sofreu perseguição, afastamento de professores e até a prisão de sua diretora.
Nas palavras da sua diretora Mª Nilde Mascellani: “O objetivo é levar o jovem à descoberta de sua personalidade, conhecendo os seus interesses e aptidões e percebendo o mundo e a si mesmo, a fim de situar-se na sociedade para desempenhar seu papel transformador”.
http://www.youtube.com/watch?v=kxlrQokWeqo
Vale a pena assistir!
Liliana Emparan
Psicanalista e Psicopedagoga do Lien- Clínica e Assessoria
domingo, 9 de junho de 2013
"Ensinar as meninas que a aparência delas é a primeira coisa que se nota ensina a elas que o visual é mais importante do que qualquer outra coisa. Isso as leva a fazer dieta aos 5 anos de idade, usar base aos 11, implantar silicone aos 17 e aplicar botox aos 23. Enquanto a exigência cultural de que as garotas sejam lindas 24 horas por dia se torna regra, as mulheres têm se tornado cada vez mais infelizes. O que está faltando? Um sentido para a vida, uma vida de ideias e livros e de sermos valorizadas por nossos pensamentos e realizações."

http://lobjettrouve.wordpress.com/2012/08/15/como-conversar-com-meninas/
Neste artigo, a autora destaca algo que geralmente passa desapercebido: a forma como falamos com as meninas.
Assim, o que ela destaca não é somente o estilo de fala "meloso", "carinhoso" etc, mas o conteúdo da mesma.
Alerta-mos sobre a valorização exgerada à apariência das crianças e a influência que isto terá no futuro delas.
É muito comum elogiarmos a roupa, cabelo, higiene, cuidado com irmãos, saber cozinhar etc., em detrimento de comentários sobre sua inteligência, criticidade, espírito científico, habilidade esportiva, entre outros aspectos.
Aqui cabe uma reflexão dos motivos desta nossa atitude e do tipo de mulheres que queremos formar.
Boa leitura!
Liliana Emparan
Psicanalista e Psicopedagoga do Lien- Clínica e Assessoria
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