terça-feira, 2 de outubro de 2012
Reflexões Psicanalíticas
Existe a depressão pós-parto paterna?
Acredito que esta questão esteja ligada a várias mudanças vividas na contemporaneidade com relação aos papéis e atribuições ligadas ao feminino-masculino e à paternidade-maternidade. Assim, por um lado, assistimos a um maior protagonismo dos pais que sentem que sua presença é importante desde cedo, o que os levou a uma maior participação nos cuidados com o bebê, sentindo essa participação como algo potencialmente prazeroso. Por outro lado, este complexo de emoções e novas vivências trazem a cena também a ansiedade e angústia de um homem que sai do lugar de filho e se coloca como pai, ou seja, como responsável - não somente pela sua vida-, senão por outro ser que depende dele intensamente; neste sentido, o medo de falhar aumenta. Como conseqüência disto pode aparecer um desejo ambíguo de ser pai, onde o ciúme pelos cuidados dispensados ao filho invade este homem, levando-o à insegurança e à sensação de que foi deixado de lado pela esposa. Neste caso, representações inconscientes ligadas a sua experiência como filho podem surgir intensamente, sem que este homem-pai-esposo possa ao menos falar sobre aquilo que sente. Questões ligadas à sexualidade do casal também entram em jogo. Em muitos casos, o artigo aponta para outro complicador, caso a mãe do bebê também esteja muito deprimida; neste sentido, a essa impotência vivida por esse incipiente e inexperiente pai se acrescenta a sentida por este marido que não sabe tampouco o que fazer com a depressão de sua esposa.
Nesta situação, este pai precisará ser atendido e escutado por um profissional.
Liliana Emparan
Psicanalista e Psicopedagoga do LIEN-Clínica e Assessoria
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/68857-a-depressao-pos-parto-paterna.shtml
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Cinema e Psicanálise
CAOS CALMO
(Reino Unido, Itália, 2008)
Direção: Antonello Grimaldi e Antonio Luigi Grimaldi
Sinopse:
Pietro Paladini (Nanni Moretti) é um executivo bem sucedido, que tem um casamento feliz e é pai de Claudia, de 10 anos. Após salvar uma mulher na praia, ele descobre ao chegar em casa que sua esposa morreu repentinamente. A partir de então ele precisa lidar com o caos emocional da perda da mulher, ao mesmo tempo em que precisa manter-se forte para ajudar e cuidar da filha.
O QUARTO DO FILHO
(Itália, França, 2001)
Direção: Nanni Moretti
Sinopse:
Giovanni (Nanni Moretti) é um psicanalista que reside e trabalha na cidade de Ancona, na Itália. Ele é casado com Paola e tem dois filhos: a menina Irene e o jovem Andrea. Sua vida transcorre tranquila, dividida entre a família e o consultório, até que uma tragédia a transtorna completamente. Para atender ao chamado urgente de um paciente, Giovanni deixa de acompanhar o filho à praia e nesse passeio o rapaz morre afogado. A família, é claro, ressente-se profundamente com a morte e Giovanni sofre uma forte sensação de remorso, apesar do apoio da esposa.
(Fonte:Adorocinema)
Comentários:
Os dois filmes falam sobre o Luto de forma nada apelativa. Nanni Moretti faz o papel do viúvo em “Caos Calmo” e do pai psicanalista que perde o filho adolescente em “O quarto do filho”. Como viúvo se dá conta que poderia ser um marido e pai mais presente e após a perda da esposa ele se instala e permanece quase todo o filme na praça em frente a escola da filha. Faz dali seu cotidiano, desprezando o escritório (sua empresa está em um processo de fusão) e preocupando-se com coisas corriqueiras no entorno desta praça, seu novo habitat. Há um processo de humanização quando ele se relaciona com as pessoas que convive ali. Acaba chamando a atenção de sua filha e de seus colegas de escola, além da professora e dos pais dos demais alunos. Ele não consegue ficar distante fisicamente de sua filha, mostrando sua fragilidade diante da perda de um ente querido. Na tentativa de dar conta desta ausência, ele se mostra demasiadamente presente, elaborando aos poucos seu processo de luto e redimindo sua culpa por não se considerar um marido e pai afetivo e presente na esfera familiar.
Em “O quarto do filho” a elaboração do luto deste pai e psicanalista é explorado ao longo do filme. Acompanhamos a tristeza pela perda do filho, sendo ele fruto de uma família extremamente afetiva. Uma das cenas mais comoventes é quando o pai com sua dor se fragiliza e como psicanalista se comove diante de seu paciente durante a sessão de análise. E sua tentativa em vão de desejar voltar atrás, já que fantasia que tudo poderia ser diferente se não tivesse abdicado de uma sessão com seu paciente para estar com o filho no dia de sua morte.
As duas histórias mostram os personagens lidando com sentimentos de impotência diante de suas perdas, desejando ter agido de outra forma, na tentativa de reverter o processo de luto. Diante disto, a sensação que fica é além do que se perdeu, mas de que não há mais nada a perder.
No trabalho de luto há o afeto normal, paralelo a melancolia. Não se considera como estado patológico, mesmo provocando comportamento anormal. Há um desligamento lento e doloroso da libido investida no objeto perdido. A realidade impõe a inexistência do objeto. O ego sob influência das satisfações narcísicas da vida, para não compartilhar o destino do objeto abolido, decide cortar seus elos com ele. No final do trabalho de luto a libido fica livre, pois a representação inconsciente do objeto é “abandonada” pela libido.
Termino com um trecho final do poema de W.H. Anden sobre o luto, recitado em outro filme: “Quatro casamentos e um Funeral”:
“...achava que o amor ia durar para sempre.Eu me enganei.
As estrelas não são necessárias agora.Desliguem todas.
Embrulhem a lua e desmanchem o sol.
Esvaziem o oceano e limpem a mata,
pois nada mais vale a pena”.
Vanessa M. da Ponte
Psicóloga do Lien Clínica e Assessoria
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Linguagem e Comunicação
A importância do contexto.
Muitas vezes pegamos uma conversa pela metade e não entendemos bem do que se trata, ou ainda imaginamos tratar-se de algum assunto e, ao nos situarmos, notamos que o sentido levava a outra direção. A isso chamamos de ‘contexto’. Trocando em miúdos, o contexto, segundo a Wikipédia, é a relação entre o texto e a situação em que ele ocorre. É o conjunto de circunstâncias em que se produz a mensagem que se deseja emitir e que permitem sua correta compreensão.
Pensando nisso, selecionei a letra da música ‘Por você’, composta pelo Frejat para demonstrar como o contexto faz diferença. Certamente o compositor tinha a intenção de dizer que faria tudo pela mulher amada, no sentido de ‘por você eu faria tudo isso’. Deem uma olhada na letra considerando essa perspectiva:
Por Você
(Frejat)
Por você eu dançaria tango no teto,
Eu limparia os trilhos do metrô,
Eu iria a pé do Rio a Salvador...
Eu aceitaria a vida como ela é,
Viajaria a prazo pro inferno,
Eu tomaria banho gelado no inverno.
Por você... Eu deixaria de beber,
Por você... Eu ficaria rico num mês,
Eu dormiria de meia pra virar burguês.
Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher...
Por você... Por você...
Por você... Por você...
Por você,
Conseguiria até ficar alegre,
Pintaria todo o céu de vermelho,
Eu teria mais herdeiros que um coelho.
Eu aceitaria a vida como ela é,
Viajaria a prazo pro inferno,
Eu tomaria banho gelado no inverno.
Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher.
Por você... Por você...
Por você... Por você...
(...)
Romântico, não? Agora, releia a mesma letra da música, mas considere que se trata de uma briga de casal e ele está acusando a mulher de querer mal a ele. Para isso, basta imaginar que antes ele diz algo como: ‘se fosse deixar por sua conta ou, se dependesse da sua vontade... eu teria que dançar tango no teto, teria que limpar os trilhos do metrô, teria que ir a pé do Rio à Salvador....’
Interessante como o contexto pode fazer toda a diferença, né? Considerá-lo pode nos ajudar a ajustar melhor nosso discurso, seja ele escrito ou falado. Além do mais, conhecê-lo pode evitar um tremendo mal entendido.
Elisângela Bassi
Fonoaudióloga do Lien Clínica e Assessoria
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Reflexões Psicanalíticas
Necessidade Desnecessária
Você realmente precisa vencer todas as discussões? Mesmo que você ganhe tal discussão, o que realmente ganhou? Você realmente precisa ter as coisas ajeitadas de tal maneira que venha a se sentir superior a alguém? Mesmo quando você é ferido por outras pessoas, você recebe alguma coisa de positivo ao feri-los também em resposta ?
Você realmente precisa de todas as muitas coisas que você luta para possuir e consumir? Você realmente precisa gastar o tempo todo pensando sobre o que os outros pensam a seu respeito? Imagine o senso de liberdade que você experimentaria se apenas renunciasse a mais inútil das necessidades.
Eis aqui uma alternativa melhor: focalize os seus esforços e atenção não naquilo que você deseja obter, mas no melhor que você pode vir a ser.
Abundância real vem pela qualidade e não pela quantidade!
(Nélio da Silva)
Muitas vezes desviamos nosso foco, gastamos nosso tempo e nossa energia em coisas desnecessárias.
O que conseguimos com isso?
Atendemos nossas necessidades?
Ou melhor....essa é nossa necessidade???
Analise suas necessidades!
Roberta Marin Passos
Psicóloga – Lien Clínica e Assessoria
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